segunda-feira, novembro 19, 2007

Semana da Ciência e da Tecnologia - Actividade do nosso Blog


Tertúlia On-Line de Comemoração da Semana da Ciência e Tecnologia e do Aniversário do Nascimento de Rómulo de Carvalho

Pretendemos fazer a comemoração on-line da Semana da Ciência e Tecnologia 2007, com publicação de textos e poemas alusivos à temática, neste e noutros Blogues. Neste momento (23.30 horas de 18.11.2007) os Blogues participantes inscritos são:

Ficamos à espera de mais adesões...

Por este rio acima - 25 anos depois

Assinalam-se hoje os 25 anos do LP de Fausto "Por este Rio Acima", um disco que marca definitivamente a história da música popular feita em Portugal.

Foi a 19 de Novembro de 1982, que o nosso conterrâneo Fausto (inspirado na "Peregrinação" de Fernão Mendes Pinto) cria este marco ímpar da música portuguesa.

"Por Este Rio acima" é uma viagem pelos mares da Descobertas e pela Aventura, mas também, como diz Fausto no disco, "por cima dos pensamentos".

É um disco imbuído de felicidade, onde tudo encaixa de maneira natural, fruto, em parte, da rodagem que sofreu no período anterior à gravação e ao extremo cuidado posto nos variados aspectos técnicos.

Um dos melhores álbuns de sempre de música portuguesa (e não é bairrismo, é uma opinião generalizada de críticos musicais).

sábado, novembro 17, 2007

Breuil-Le-Sec


Acho interessante a ideia de a nossa terra estar geminada com uma localidade francesa onde reside um nosso conterrâneo, até porque muitos dos nossos imigrantes estão em França. Hoje sugeríamos ao visita a dois sites (em francês) para conhecerem Breuil-Le-Sec. Esta localidade situa-se a norte de Paris, perto de Compiègne (onde se assinou o Armistício da I Grande Guerra Mundial) e Noyon (que eu conheço, pois vi nessa localidade o Eclipse Total do Sol em 11 de Agosto de 1999, terra onde nasceu Calvino, um dos fundadores da Reforma Protestante) na região da Picardia e Departamento de Oise.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Chuva de estrelas deste fim-de-semana

ENXAME DE METEOROS DAS LEÓNIDAS

Neste momento a Terra cruza a órbita do Cometa Tempel-Tuttle e são os restos deste cometa os responsáveis pelo enxame de estrelas que decorre anualmente entre 14 e 20 deste mês, o enxame das Leónidas.

As noites de 17, 18 e 19, são as datas de máxima intensidade desta chuva. O número de estrelas cadentes observado por hora não é muito elevado, mas há boas esperanças que, pelo facto de o cometa ter passado pelo Sol há pouco tempo, haja este ano um aumento significativo de meteoros.

Os apaixonados por este tipo de fenómenos, e os curiosos em geral, poderão nas próximas noites perder algumas horas de sono para apreciar este belo espectáculo.

Os cálculos mostram que em Portugal a observação do pico das Leónidas, será na madrugada do próximo dia 18 de Novembro de 2007, domingo, pelas 02.46 horas muito antes da alvorada. Só nos resta esperar boas condições meteorológicas

O nome deste enxame resulta de os traços das suas estrelas cadentes nos parecerem sair dum ponto da constelação do Leão (o radiante). Como esta constelação só começa a nascer lá para a meia-noite, as observações deverão iniciar-se na 2ª metade da noite.

Conselhos: ir para um local escuro, fora das luzes dos centros populacionais, com um horizonte desimpedido; esperar que os olhos se habituem à obscuridade (cerca de 15 minutos); ir agasalhado e, para maior comodidade, levar uma cadeira (do tipo de cadeira de bordo ou de praia) para poder olhar bem para o alto.

Se o céu se apresentar límpido terá uma maravilhosa visão do céu... Ver-se-á Saturno (mesmo na constelação do Leão) e as maravilhosas estrelas e constelações de Inverno já aparecerão em todo o seu esplendor: Aldebarã e as Pleiades do Touro, a linda Capela muito alta, a brilhante Sirius, Procyon, os Gémeos Castor e Polux, e baixa, a estrela Arcturus.

Não oferecendo perigo para a Terra, estes meteoros poderão eventualmente danificar os inúmeros satélites, científicos e de comunicações, que orbitam a Terra.

Para obter mais informação sobre os "Enxames de Meteoróides" consulte no nosso site a página Almanaques/Outros elementos

Para ver uma imagem que representa o céu às 03h na madrugada do dia 18 de Novembro, consulte:

http://www.oal.ul.pt/index.php?link=destaque&id=88

segunda-feira, novembro 12, 2007

Cometa 17P/Holmes


O cometa Holmes continua visível, no céu.

A cabeleira está maior, embora a sua magnitude tenha descido.

Isto é: perdeu intensidade, o seu brilho. Na carta celeste que mostramos, cortesia da revista de astronomia Sky and Telescope, mostramos a sua localização. Deve-se olhar para os céus altos na direcção de noroeste. Como ponto de referência procurar a constelação Cassiopeia, que é bem visível pois as suas estrelas parecem formar um W. Aproveitar este fim de semana, ao cair da noite, antes que a Lua venha por aí, de novo, a estragar tudo...


Post roubado ao Blog Astronomia-Algarve, de Vieira Calado.

sábado, novembro 10, 2007

Dia da Papoila - notícia do Público

Ela está no peito de quase todos os britânicos
A papoila vermelha de papel que nasceu de um poema
07.11.2007 - 19h51 - Ana Fonseca Pereira

Milhões de papoilas de papel são produzidas anualmente para a campanha de angariação de fundos

Ela está nas lapelas de muitos britânicos por estes dias. A cor vermelha chama a atenção, em especial de quem desconhece o seu significado e parece ser esse o objectivo. A papoila de papel que invade as ruas nos primeiros dias de Novembro é uma homenagem aos soldados que perderam a vida em combate, símbolo de uma campanha de solidariedade que nasceu de um poema escrito no campo de batalha.

Todos os anos, milhões de pequenas papoilas de papel são vendidas por voluntários da Legião Real Britânica, a maior associação de apoio a ex-combatentes do país, numa campanha de angariação de fundos (a “Poppy Appeal”) para custear a assistência a milhares de antigos e actuais militares. Os voluntários saem para as ruas nas semanas que antecedem o Dia da Memória, a 11 de Novembro, quando são recordados os que combateram nas duas guerras mundiais e também os que perderam a vida nos recentes conflitos das Malvinas, Iraque e Afeganistão.

A primeira homenagem aos militares mortos no campo de batalha foi celebrada em 1919, um ano depois do armistício – celebrado à “11ª hora do 11ª dia do 11º mês” – que pôs fim a quatro anos da mais devastadora guerra que o Velho Continente assistira até então, com milhões de mortos e centenas de milhares de estropiados. Mas só dois anos mais tarde, a papoila vermelha se tornaria no símbolo das comemorações, numa associação que curiosamente nasceu do outro lado do Atlântico.

Um poema de sangue

A I Guerra Mundial estava a dias de terminar quando Moina Michael, uma professora americana que trabalhava como voluntária do YMCA (organização humanitária cristã) em Nova Iorque, leu numa revista o poema de John McCrae (1872-1918), um médico do contingente canadiano estacionado na frente de batalha belga.

O poema fora escrito em Maio de 1915, dias depois da segunda batalha de Ipres (Leste da Bélgica), que vitimara milhares de soldados, entre eles o tenente Alexis Helmer, amigo do médico canadiano.

Pouco depois de ter enterrado o amigo, McCrae, sentado nas traseiras de uma ambulância, escreveu em 20 minutos as 15 linhas de um poema que se tornaria elegia aos milhares de jovens que tombaram nos campos de batalha onde nada crescia, à excepção de rubras papoilas. “Nos campos da Flandres crescem papoilas/entre as cruzes que, fila a fila, marcam o nosso lugar (...)”, escreve o médico, narrando a morte em seu redor. O poema termina dizendo: “se trairdes a fé de nós que morremos/Jamais dormiremos, ainda que cresçam papoilas/ Nos campos da Flandres”.

Publicado meses depois na revista inglesa “Punch”, sob o título “Os Campos da Flandres”, o poema ganha rápida popularidade e aclamação unânime. A elegia associa pela primeira vez a memória às papoilas vermelhas, flores silvestres e delicadas cujas sementes resistem anos no subsolo até que são expostas à luz, o que acontecia nas frentes de batalha por acção dos obuses que caíam impiedosos sobre as trincheiras, repetindo um cenário que se espalhara pela Europa durante as Guerras Napoleónicas. A sua cor vermelha mistura-se com o sangue dos mortos, relembrando antigos mitos que associavam a papoila ao sacrifício humano, mas também ao renascimento depois da morte.

O nascimento de um símbolo

Emocionada pelo poema e pela notícia da morte de McCrae – em Janeiro de 1918, vítima de pneumonia e meningite – Moina Michael escreveu uma réplica ao oficial canadiano, sob o título “Manteremos a fé”, lançando a ideia de promover a papoila como promessa de manter na lembrança todos os que morreram na Grande Guerra. Moina comprou numa loja de Nova Iorque pequenas papoilas de papel, colocou uma na lapela e vendeu as outras a voluntárias da associação, iniciando assim uma campanha para que a pequena flor se tornasse símbolo nacional de recordação. Esse objectivo é alcançado em 1920 quando a Legião Americana a adopta como emblema da sua convenção anual.

Presente no encontro estava a francesa Anne Guerin, dirigente de uma associação de apoio a viúvas e órfãos da guerra que, inspirada pelo exemplo de Moina, decide promover a flor como símbolo internacional de homenagem às vítimas de conflitos armados. Mas mais do que um ícone, Guerin viu na pequena papoila uma forma de auxiliar os sobreviventes do conflito e, em breve, a sua associação começou a produzir flores em papel para serem vendidas por grupos de veteranos dos países envolvidos no conflito.

Em 1920 e 1921, Guerin convenceu vários membros da Commonwealth a adoptar o novo símbolo, fornecendo às associações de veteranos as flores produzidas pelas viúvas das zonas devastadas pela Guerra. Nos anos seguintes, contudo, a maioria das associações começaria a fabricar as suas próprias insígnias, uma tarefa que pela sua simplicidade podia ser cumprida pelos muitos mutilados de guerra que não conseguiam arranjar outro emprego.

”Poppy Appeal”

No Reino Unido – o país que a par do Canadá mais viva mantém a tradição – as flores continuam a ser produzidas na Fábrica de Papoilas, uma instituição criada em 1922 pelo major George Howson, fundador da associação de apoio ao deficiente das forças armadas. Instalada em Richmond, no Surrey, a fábrica emprega 42 trabalhadores, a maioria deficientes, tendo produzido na campanha do ano passado 36 milhões de papoilas que, entre outras iniciativas, renderam 26 milhões de libras (37,3 milhões de euros).

Os fundos da campanha – que se estende até 11 de Novembro – representam um terço do orçamento das acções de apoio da Real Legião. Este ano, a associação de veteranos espera elevar o montante angariado para o novo recorde de 27,5 milhões de libras (39,5 milhões de euros), sustentando que o número de baixas registado nos conflitos do Iraque e do Afeganistão “mostram que o trabalho da Liga é mais necessário do que nunca”.

Mas na era da Internet, as papoilas em papel começam a ter rivais virtuais e, nos últimos anos, é possível receber fotografias da pequena flor vermelha no telemóvel e no e-mail para quem fizer doações através de “SMS” ou correio electrónico. Também as comemorações do Dia da Memória – que este ano coincide com um domingo, dia das tradicionais cerimónias militares – pode também já ser vivido de forma virtual, já que a Legião criou no Second Life um memorial idêntico ao Cenotaph instalado desde 1920 em Whitehall, no centro de Londres.

in Público - ler notícia

Dia da Papoila - Vídeos



Dia da Papoila


Quero hoje revelar um segredo: chamaram-me Fernando em homenagem a um tio-avô (Fernando Aguiar) que, antes de partir para a I Grande Guerra, casou com a matriarca da minha família paterna (a minha tia-avó Maria dos Prazeres - a madrinha Prazeres...). Voltou de lá gaseado e pouco viveu depois de regressar.

Assim surgiram os Fernandos e Fernandas na família (eu tinha/tenho vários primos com esse nome, bem como uma tia Fernanda e um tio Fernando, este tendo morrido assassinado no Brasil). E é assim que a I Guerra Mundial, directa ou indirectamente, sempre que me interessou (até porque o meu avô Joaquim - o meu padrinho Joaquim - esteve para ir para o Contingente Português que lá lutou e só se safou porque o Presidente Sidónio Pais - que ele reverenciava, em conjunto com a família real portuguesa - impediu mais envios de tropas).

Recordemos então que, hoje, data em se celebra os 89 anos desde que acabou essa tragédia mundial, há uma tradição anglo-saxónica (no Reino Unido, Austrália e, sobretudo, no Canadá, onde este é um dia muito especial, é conhecido como o Remembrance Day) de celebrar-se tal facto recorrendo a papoilas de papel (que são vendidas para apoiar os antigos combatentes - desta e de outras guerras). Isto deve-se a um poema do ex-combatente canadiano John McCrae (1872-1918), médico e tenente-coronel que, depois de enterrar um amigo, em 1915, escreveu o seguinte texto:

In Flanders’ Fields


In Flanders’ Fields the poppies blow
Between the crosses, row on row,
That mark our place; and in the sky
The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.

We are the dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
Loved, and were loved, and now we lie
In Flanders’ Fields.

Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
The torch; be yours to hold it high.
If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
In Flanders’ Fields.


NOS CAMPOS DE FLANDRES - Tradução livre

Nos campos de Flandres crescem as papoilas
E florescem entre as cruzes que, fila a fila,
Marcam o nosso lugar; e, no céu,
Voam as cotovias, que continuam corajosamente a cantar,
Embora mal se ouça seu canto, por causa dos canhões.

Estamos mortos... Ainda há poucos dias, vivos,
sim, nós amávamos, nós éramos amados;
sentíamos a aurora e víamos o poente
a rebrilhar, e agora eis-nos, todos deitados
nos campos de Flandres.

Continuai a nossa luta contra o inimigo;
A nossa mão vacilante atira-vos o facho:
mantende-o bem alto. Que, se a nossa vontade trairdes,
nós, que morremos, não poderemos dormir,
ainda mesmo que floresçam as papoilas
nos campos de Flandres.

Tradução/adaptação de Pedro Luna



Recordemos então os mortos, incluindo o autor do poema (que faleceu de pneumónica e meningite, quase no final da Guerra) e o seu camarada de armas a quem dedicou a poesia, até porque é honrando os que lutaram (às vezes ingloriamente e por vezes sem ser ser por uma justa causa) que iremos recordar que a Guerra é sempre nefasta. Recordemos que Portugal e nossa região tiveram homens que lutaram pela sua pátria neste conflito e que a nossa terá, certamente, homens que dormem o sono final sob as papoilas dos campos de Flandres. E, já agora, lembremos também a americana Moira Michael, que escreveu uma réplica ao poema e ajudou a perpetuar a celebração da data - Remembrance Day, Poppy Day ou Armistice Day, consoante o país - o nosso Dia do Armistício:

Oh! You who sleep in Flanders’ fields,
Sleep sweet – to rise anew;
We caught the torch you threw;
And holding high we kept
The faith with those who died.
We cherish, too, the Poppy red
That grows on fields where valour led.
It seems to signal to the skies
That blood of heroes never dies,
But lends a lustre to the red
Of the flower that blooms above the dead
In Flanders’ Fields.
And now the torch and poppy red
Wear in honour of our dead
Fear not that ye have died for naught
We’ve learned the lesson that ye taught
In Flanders’ Fields.

domingo, novembro 04, 2007

Cometa 17P/Holmes - uma foto...

(Imagem de João Clérigo e Carlos Reis)

O cometa do momento, ontem à noite. É visível em todo o país...


Post publicado originalmente pelo Blog AstroLeiria.

sábado, novembro 03, 2007

Feira das Tradições da Castanha - Póvoa do Concelho


A III Feira das Tradições e da Castanha começa hoje e termina domingo na Póvoa do Concelho, freguesia onde a produção de castanha é uma das actividades importantes, associada ao sector agro-pecuário.

Além do magusto previsto para domingo, a iniciativa conta com diversos espectáculos musicais, o primeiro, já hoje às 22h00, com o grupo musical “Super Nova”.

O programa prossegue amanhã com uma concentração motard e um passeio pelo concelho de Trancoso até à hora do almoço, altura em que será servido um porco no espeto. À tarde, os céus serão cruzados por parapentes, antes da abertura da exposição sobre Tradições do Concelho.

Para domingo de manhã está previsto um passeio de BTT, a apresentação do brasão da freguesia de Póvoa do Concelho, ao início da tarde, antes de uma sessão de Jogos Tradicionais.

Vai ainda ser possível efectuar passeios de charrete pela freguesia ao longo de todo o domingo, estando disponíveis insufláveis para os mais novos e para os "menos novos", bar aberto com castanha assada e jeropiga.

A III Feira das Tradições e da Castanha é organizada pela Junta de Freguesia de Póvoa do Concelho, Associação de Solidariedade Social “Amigos da Póvoa do Concelho” e Associação Cultural “Os Popós”, contando com o apoio do Município e da Empresa Municipal Trancoso Eventos.

Fonte - Portal de Trancoso

NOTA: É sempre uma alegria dar notícias da nossa vizinha Póvoa, onde eu vivi, em garoto, um ano, onde fiz a Escola Primária e onde tenho muitos amigos. Foi para mim uma grande tristeza quando mudaram o nome da minha Rua da Póvoa - e ainda estou à espera que o nome volte... - pois era um dos nomes mais castiços de ruas da nossa terra.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Como matar o Interior e as suas terras

Com a notícia, por nós já esperada, da tentativa de encerramento da GNR em Vila Franca das Naves, este Governo mantem a habitual tentativa de impor (se a população e os seus líderes autárquicos não se mexerem...) a morte e destruição de muitas das localidades do interior beirão. Depois das Escolas Primárias, de muitos dos Serviços dos Hospitais, dos Centros de Saúde, das estradas e transportes, agora chegou a vez de tentarem roubar a Segurança aos cidadãos de segunda (que é isso que este governo pensa que são os habitantes desse fim-do-mundo que é a Beira Interior...) da nossa região.

Há que unir esforços, preparar a luta, contar armas e preparar as populações para mais esta tristeza que para aí vem - se ainda há homem de barba rija e mulheres como antigamente não seremos novamente espoliados daquilo que merecemos, temos direito e pagamos arduamente com os nossos impostos...!

PS - Se em vez de semearem desertos pelo país, tentassem perceber o que as suas gentes precisam, daqui a alguns anos o nosso país ainda existia... Há que resistir, não calar a revolta, dar voz a quem sabe como impedir a execução da pena de morte que alguns querem dar ao interior e às suas terras!

A GNR de Vila Franca das Naves vai encerrar...?!?

Com grande pesar e preparando aquela que deve ser a luta dos líderes locais e da população de Vila Franca das Naves e das suas aldeias vizinhas contra esta ignomínia, publicamos, do jornal Correio da Manhã, a seguinte notícia:


Segurança: Proposta do Comando-geral
GNR vai fechar 108 postos
2007-11-02 - 13:00:00

A GNR prepara-se para abandonar 108 postos que compõem o seu efectivo territorial. Oitenta e uma localidades vão deixar de ser policiadas pelos militares da GNR, com os respectivos postos a fecharem portas, enquanto os restantes 27 que saem da jurisdição da Guarda, serão entregues à PSP.

A GNR manterá responsabilidade em 397 postos espalhados por 16 comandos territoriais, que resultam da extinção formal de quatro Brigadas Territoriais.

O CM teve acesso ao quadro orgânico de dotação dos postos territoriais, entregue no Ministério da Administração Interna (MAI) pelo comandante-geral da GNR, tenente-general Mourato Nunes. O quadro em causa ainda não é definitivo, já que o ministro Rui Pereira ainda analisa o documento que constitui uma súmula das propostas apresentadas pelos comandantes das brigadas territoriais da GNR.

No entanto, ao que o CM apurou, o MAI aguarda apenas pela publicação, em Diário da República da versão final da Lei Orgânica da GNR (o que deverá acontecer até dia 10), para dar o ‘empurrão final’ à transformação no dispositivo territorial daquela força de segurança.

Após a formalização da nova lei orgânica da GNR, o Governo terá 30 dias para fazer aprovar decretos regulamentares que permitam a aplicação da extinção das quatro brigadas que ainda regulam o dispositivo territorial da Guarda. Em consequência, serão criados 16 comandos territoriais no continente, e outros dois nas regiões autónomas da Madeira e Açores.

Recorde-se que a reforma da PSP e da GNR foi lançada pelo anterior ministro da administração interna, António Costa, em finais de 2005. A 1 de Abril deste ano foi lançada no terreno a reestruturação territorial das duas forças de segurança que, ao que o CM apurou, tem final previsto para Dezembro.

A 14 de Dezembro, GNR e PSP trocarão entre si os últimos departamentos policiais, dando à Polícia a responsabilidade única de policiamento em freguesias ou concelhos com mais de 15 mil habitantes.

BRIGADAS 2, 3, 4 E 5 DESAPARECEM

BRIGADA 2 - 15 POSTOS SERÃO ENTREGUES À PSP: QUATRO COMANDOS

A extinção da Brigada Territorial 2 da GNR, dará origem à criação dos Comandos de Lisboa, Santarém, Setúbal e Leiria. Serão fechados 4 Destacamentos Territoriais, e abertas 5 destas unidades (Rio Maior, Almeirim, Ourém, Palmela e Alcobaça). Fecharão portas apenas 2 postos (Manique do Intendente e São Facundo), estando prevista a entrega de 15 postos territoriais à jurisdição da Polícia de Segurança Pública.

BRIGADA 3 - PSP FICA COM 4 UNIDADES: 29 ENCERRAMENTOS

Quando a Brigada Territorial 3 da GNR fechar portas serão automaticamente criados os comandos territoriais de Beja, Évora, Faro e Portalegre. O nível de comando de Destacamento Territorial terá 3 novas unidades (Beringel, Odemira, e Arraiolos), devendo fechar outras 4 unidades semelhantes. Serão encerrados 29 postos (entre os quais o de Baleizão), passando 4 para a PSP (Beja, Olhão, Vilamoura, e Vila R. de Sto. António).

BRIGADA 4 - CRIADOS 5 NOVOS COMANDOS: PSP COM 7 POSTOS

Segundo o novo mapa territorial dos postos da GNR, está previsto que a PSP receba 7 departamentos da GNR resultantes da extinção da Brigada Territorial n.º 4 (a maior parte dos quais na zona do Grande Porto). Com o encerramento da unidade, serão criados os comandos territoriais de Braga, Bragança, Porto, Viana do Castelo e Vila Real. Deverão fechar portas em definitivo 22 postos territoriais entregues, até agora, à GNR.


BRIGADA 5 - APENAS UM POSTO PARA A PSP: 28 POSTOS FECHAM

O encerramento da Brigada n.º 5, dará origem a 5 Comandos (Viseu, Aveiro, Coimbra, Guarda, e Castelo Branco). Apenas um posto (São João da Madeira) passará para a PSP, enquanto 28 encerrarão de vez as portas. A reforma nesta área prevê ainda o fecho de 4 Destacamentos Territoriais (Gouveia, V. Formoso, Idanha-a-Nova e São João da Madeira), e a abertura de duas destas unidades (Seia e Santa Maria da Feira).


UNIDADES ESPECIAIS ESPERAM POR LEI

A Brigada de Trânsito (BT) e a Brigada Fiscal (BF) da GNR também estão a viver os últimos dias. Ambas as unidades especiais aguardam, à semelhança do dispositivo territorial da GNR, pela publicação em Diário da República da versão final da lei orgânica da Guarda, para se extinguirem.

Em sua substituição serão, respectivamente, criadas a Unidade Nacional de Trânsito, que substitui a BT, e a Unidade de Controlo Costeiro, e a Unidade de Acção Fiscal, que receberão parte do efectivo da BF. Para José Manageiro, presidente da Associação dos Profissionais da Guarda, as transformações nestas unidades vai deixar “milhares de militares que não serão reaproveitados para as futuras valências, sem conhecimento do futuro”. “O comando e o Governo ainda não se dignaram a responder aos anseios dos profissionais da GNR que sabem que irão ser absorvidos pelo dispositivo territorial, mas ainda não sabem para onde irão”, disse o dirigente.


MUDANÇAS NO POLICIAMENTO

505 POSTOS AINDA ABERTOS

A GNR conta ainda com 505 postos territoriais em funcionamento. Com a reforma, ficará apenas a operar com 397.

13 MIL GUARDAS VÃO PATRULHAR

O novo mapa orgânico dos postos da GNR prevê que cerca de 13 mil militares serão destacados para patrulhar.

POLICIAMENTO DE PROXIMIDADE

A Associação dos Profissionais da Guarda não quer que o fecho de postos ponha em causa a proximidade da GNR.

TRÊS CRITÉRIOS PARA O FECHO

População a segurar, criminalidade e distância entre os postos foram os critérios seguidos na escolha de postos a fechar.


(...)


ANTIGA BRIGADA 5

Vai passar a englobar os actuais distritos de Viseu, Aveiro, Coimbra, Guarda e Castelo Branco.

Postos territoriais que fecham: Campo de Besteiros, Avelal, Cacia, Gafanha da Nazaré, Praia de Mira, Maiorca, Quiaios, Pínzio, Freixedas, Vila Franca das Naves, Freixo de Numão, Paranhos da Beira, Vila Nova de Tazém, Soito, Minzelo, Cebolais de Cima, Malpica do Tejo, Mata, Tinalhas, Unhais da Serra, Caria, Monsanto, Rosmaninhal, Ladoeiro, Cernache de Bonjardim, Alpedrinha, Avanca, Torreira.(28)

Postos que passam para a PSP: São João da Madeira.(1)

Total: 29

quarta-feira, outubro 31, 2007

Almoço de ex-alunos de professora dos anos 40

Vai realizar-se, no dia 01.11.2007 (Dia de Todos os Santos), no Restaurante O Condesso, um Almoço de Confraternização dos ex-alunos da professora primária Alice Bordalo Martins (mãe do cantor, autor e compositor, entre outras coisas, Fausto). É um momento dos ex-colegas recordarem a sua Escola e a sua infância, de lembrarem a sua professora e os momentos que viveram juntos na antiga Escola Primária...

É ainda de salientar que esta professora primária, que depois foi com a família para Angola (onde cresceu o Fausto, que para o ano fará 60 anos...) foi bastante amiga de uma vila-franca-navense minha familiar, Maria dos Prazeres Vaz Oliveira e que a sua família manteve por longo período contacto com essa minha tia-avó, mesmo depois da professora Alice ter falecido (ainda em Angola). Curioso é ainda o facto de que foi esta mesma professora que presidiu ao Júri do Exame da 4ª Classe da minha mãe, em Trancoso, provavelmente em Julho de 1948, estando nessa altura grávida de um rapaz que se viria chamar Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias - o nosso cantautor Fausto...

domingo, outubro 28, 2007

Inauguração das bancadas do Estádio do Picoto - II









Inauguração das bancadas do Estádio do Picoto

No passado dia 21 de Outubro de 2007 foram inauguradas as bancadas do Estádio do Picoto, pela Associação Cultural e Desportiva de Vila Franca das Naves.

Mais uma vez contamos com a presença do Dr. Júlio Sarmento, assim como um representante da Associação de Futebol da Guarda.

No evento foi realizado o I Torneio Triangular Miguel Madeira, que serviu para a apresentação da equipa sénior de Vila Franca das Naves e contou com a participação das equipas de Celorico da Beira e de Pala.

O 1.º classificado foi Celorico da Beira, em 2.º ficou Vila Franca das Naves e em 3.º a equipa de Pala.


No próximo post serão colocadas outras fotografias (que foram enviadas pela nossa Presidente da Junta e feitas pelo marido).

terça-feira, outubro 23, 2007

Inauguração das Piscinas - II





Inauguração das Piscinas

Da nossa Presidente da Junta recebemos a seguinte notícia, que publicamos de seguida:

"Com agrado envio as últimas notícias da nossa Vila.

No dia 19 de Outubro, as Piscinas Municipais de Vila Franca das Naves foram finalmente inauguradas.

Para além da população local e respectivas Junta e Assembleia de Freguesia, estiveram presentes para o evento, Sua Excelência, o Secretário de Estado Adjunto e da Administração Local, Dr. Eduardo Cabrita, bem como o nosso Presidente da Câmara Municipal de Trancoso, o Dr. Júlio Sarmento e ainda Sua Excelência a Sr.ª Governadora Civil da Guarda, Dr.ª Maria do Carmo Borges.

A abertura ao Público, será no decorrer do próximo mês, ficando a sua gestão a cargo da empresa municipal Trancoso Eventos."


Nos próximos posts iremos colocar mais algumas fotos que nos foram enviadas pela nossa amiga Lina, à qual agradecemos a disponibilidade (e a do marido, que tira fotos de tão elevada qualidade).

terça-feira, outubro 16, 2007

Adriano - 25 anos de saudade


Faz hoje 25 anos que o cantor Adriano Correia de Oliveira partiu. Uma hemorragia no esófago, fulminante, levou-o quando estava nos braços de sua mãe, ainda um jovem e com tanto para dar. Um dos melhores cantores portugueses de sempre, que começou pela canção de Coimbra e passou para a canção de intervenção, uma voz única que deixa muitas saudades...

É ainda de salientar que o nosso conterrâneo, o cantautor Fausto, teve o privilégio de colaborar com ele, nomeadamente no LP Que nunca mais, de 1975, em que fez a direcção musical.

Adeus Adriano...!


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domingo, outubro 14, 2007

Fotos da Geminação - IV





Dia 05.10.2007 - visita a Trancoso

Fotos da Geminação - III





Dia 05.10.2007 - visita à Cidade da Guarda

Fotos da Geminação - II






Dia 05.10.2007 - Assinatura da Geminação em Vila Franca das Naves

Fotos da Geminação








Fotos de 04.10.2007 em Vila Franca das Naves: 1 - Almoço na Vindima; 2, 3, 4 e 5 - Recepção na Escola e 6 - Protocolo entre forças de segurança

Geminação com Breuil-Le-Sec

Publicamos, com muito prazer, a seguinte informação enviada pela Presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca das Naves:


Dia 5 de Outubro de 2007, Vila Franca das Naves e Breuil-Le-Sec assinaram uma carta de amizade, cerimónia esta de geminação entre as duas localidades.

Este processo iniciou-se com uma ideia de um concidadão de Vila Franca das Naves, residente em Breuil-Le-Sec, o Sr. Jorge Pena.

No dia 31 de Março, uma comitiva composta pelo Presidente da Assembleia de Freguesia, pelo Tesoureiro da Freguesia e um membro da Assembleia, três Alunos e dois Professores, deslocou-se a Breuil-Le-Sec onde foi replantada uma oliveira levada daqui, árvore simbolizando a paz, sabedoria e abundância.

Dia 5 de Outubro, o processo concluiu-se com a assinatura do protocolo.

Estiveram presentes pela comitiva francesa, o Maire de Breuil-Le-Sec o Sr. Armand Lefeuvre; o Sr. Jorge Pena e esposa, o Sr. Comandante da Gendarmerie de Liancourt, Eric Loy (que engloba a zona de Breuil-Le-Sec) e esposa, três pais/tutores e 8 alunos do Collège Jacques Yves Cousteau.

Os objectivos desta iniciativa passam por:
  • Prossseguir e aprofundar os intercâmbios já existentes;
  • Promover encontros entre os cidadãos destas Vilas e incentivá-los no quadro das possibilidades existentes;
  • Favorecer particularmente, contactos entre jovens, bem como entre associações e/ou grupos político-sociais.

Nos posts seguintes iremos colocar o programa e as fotos deste evento.

sábado, outubro 13, 2007

Mapa inter-activo

Aqui fica um mapa do GoogleMaps para verem pormenores de Vila Franca das Naves. Sugere-se que experimentem:
  • as opções Map (mapa), Sat (Satellite - fotografia área) e Hyb (Hybride - fotografia área com alguns aspectos marcados);
  • a Escala (entre o + e -);
  • a mudança da área visível (usar as setas ou o rato do PC - que aparece com aspecto de mão dentro do mapa - para mudar de localização visível).



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quinta-feira, outubro 04, 2007

Sputnik - 50 anos...!

Sputnik - 50th Anniversary

Nuno Crato

Sputnik, o satélite politicamente incorrecto

Faz amanhã (HOJE) 50 anos que «arrancou» a conquista do espaço

2007-10-03
Por Nuno Crato *

Sputnik 1 foi o primeiro satélite a ser posto em órbita

Tinha eu cinco anos quando ouvi um nome novo e curioso: «Sputnik». Não me lembro desse momento, porque de pouco ou nada me lembro dessa altura, mas sei que anos depois a palavra mágica continuava a ser ouvida. E as conversas eram estranhas. O meu pai explicara-me que se tratava de um satélite artificial da Terra. O primeiro. E que tinha sido lançado pela União Soviética, uma país distante e misterioso que se identificava com «a Rússia», aquele lugar de que se falava a propósito de uma estação de rádio que era proibido escutar, dos pastorinhos de Fátima e de muitas outras coisas. Sabia-se, por exemplo, que Salazar não gostava da Rússia e, por isso, ao falar do Sputnik falava-se mais baixo e olhava-se à volta. Para mim, que era muito miúdo, era tudo um jogo misterioso.


Falava-se também de um professor universitário português que tinha dito que o Sputnik não existia, que era uma arma de propaganda comunista, pois era cientificamente impossível haver um satélite artificial da Terra. De repente, deixou de se falar desse professor universitário, pois os Estados Unidos tinham também colocado um satélite no espaço.

Anos mais tarde, muitos anos mais tarde, tentei reconstituir o que se passara. Ao que parece, o professor universitário não era um, mas sim dois: um em Lisboa e outro no Porto. Este último foi durante muitos anos alvo de chacota por parte dos seus alunos. O primeiro penso que também. Nunca consegui, no entanto, esclarecer completamente o que se passara. As lendas abundam, mas nomes concretos, declarações, registos, documentos, tudo isso falta.

E gostaria de esclarecer o que se passara pois creio que o episódio foi revelador e sintomático. Face aos progressos científicos de outros países respondia-se com desdém. E o desdém não era só dirigido «à Rússia». Era dirigido também aos Estados Unidos da América, país pelo qual Salazar nunca morreu de amores. Só alguns anos mais tarde percebi por que os progressos científicos dos norte-americanos eram também desdenhados.

Foi preciso passarem 12 anos. Lembro-me de ter visto na televisão imagens confusas de algo muito mais arrojado do que um satélite. Estava na praia do Baleal e a televisão existia no nosso país há poucos anos. Pouca gente a tinha. O aparelho onde vi as imagens estava num café cheio de gente. Tão cheio que era difícil aproximar-mo-nos do écran. Lembro-me que os meus pais estavam em Lisboa nesse dia. Como não tinham televisão, foram à Baixa, onde havia aparelhos a funcionar nas vitrines das lojas. Foi daí que viram as mesmas imagens que eu estava a ver. Imagens trémulas, pois tinham viajado 384 milhares de quilómetros. Era 20 de Julho de 1969. As imagens mostravam Neil Armstrong a pisar o solo da Lua.

Lembro-me de amigos dos meus pais acharem toda essa curiosidade e todo esse entusiasmo despropositados. Afinal, quem tinha aparecido na televisão eram americanos. Só teriam ido à Lua por dinheiro e despeito. Os russos tinham estado sempre à frente na corrida ao espaço, diziam, e os norte-americanos apenas tinham conseguido sucessos na fase final...

Nunca percebi muito bem como era possível que pessoas inteligentes pudessem rejeitar avanços científicos e tecnológicos. Como era possível haver professores universitários que escondessem a cabeça na areia dizendo que o Sputnik não existia?! E como era possível não se estar emocionado com a chegada do homem à Lua?! É de facto estranho, mas revela uma atitude que persiste. Ainda há poucos anos se ouviram intelectuais portugueses a protestar com a exploração de Marte.

Vou prosseguir a minha história. Passados outros tantos anos, fui estudar para os Estados Unidos, país que na altura não me fascinava especialmente, mas de onde regressei, quase 15 anos depois, completamente seduzido. Aí percebi o que se tinha passado depois do Sputnik. Ao contrário de esquecer a sua existência, os norte-americanos reagiram sacudindo a fundo a sociedade.

Em todo o lado se pensara em mudança. Começando no ensino. Reviram-se os programas, criaram-se escolas de elite, estreitaram-se as relações entre o ensino superior e o pré-universitário, estimularam-se programas de investigação. Preparou-se uma nova geração para a ciência. O Sputnik de 1957 criou ondas de choque que se propagaram até ao sucesso do programa Apolo de 1969.

No meio disto há um pequeno facto histórico pouco notado. O Sputnik russo foi lançado em Outubro de 1957. O primeiro satélite norte-americano foi colocado no espaço em Janeiro de 1958. Três meses mais tarde. Apenas três meses. Isso explica por que razão os críticos portugueses do Sputnik se calaram. E leva a pensar nas origens da «onda de choque» que se propagou pelos Estados Unidos. O «efeito Sputnik» foi consciente. Havia a vontade de mudar, e o satélite russo não foi mais que o pretexto.

Apesar de mudanças brutais e de progressos imensos desde o Portugal salazarista de 1957, vivemos hoje uma situação que tem alguns paralelos com a dessa época. Continuam a existir responsáveis políticos que pouco se preocupam com o nosso atraso científico. E continuam a existir académicos que o negam ou subestimam.

É certo que existem hoje muitos jovens cientistas que se destacam no panorama internacional e que orgulham o país. É certo que começam a aparecer nomes portugueses citados na imprensa internacional. É certo que se podem hoje ler nomes de universidades e institutos de investigação nacionais em artigos na Science, na Nature ou noutras revistas internacionais onde a nossa presença era, ainda há pouco, praticamente inexistente. O facto orgulha-nos, mas, tal como o Sputnik, pode levar-nos a duas atitudes opostas. E a realidade é que a ciência portuguesa continua numa situação de atraso relativo entristecedora. Tudo o que dissemos sobre os nossos progressos podem muitos países semelhantes ao nosso, em dimensão, desenvolvimento, cultura e produto económico, dizê-lo com cem vezes mais propriedade. Há ainda muito a fazer. Muitíssimo. Aprendemos alguma coisa com o Sputnik?


*Professor de Matemática e Estatística no Instituto Superior de Economia e Gestão, Lisboa, actual Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática.

Este texto foi extraído e ligeiramente adaptado (pelo próprio autor) de «Ciência em Portugal: os próximos 30 anos» publicado na colectânea 25 de Abril: Os Desafios para Portugal nos Próximos 30 Anos, Presidência do Conselho de Ministros, Comissão das Comemoração dos 30 Anos do 25 de Abril, Lisboa 2004


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