sexta-feira, outubro 15, 2010

Plantel 2010/11 da Associação Cultural e Desportiva de Vila Franca das Naves

Plantel: Guarda-redes – Aires; Defesas – Diogo, Diogo Achando (ex-Fornotelheiro), Bengas (ex-Celoricense), Marco, Ginha (ex-Pala), Luís e Stephan (ex-Lageosa do Mondego; Médios – Cadete, Toneca, Alexandre (ex-Fornotelheiro), Mica (ex-Pala), Kiko (inactivo); Avançados – Futre, Dani, Valter, Zé, Marcinho (ex-Pala) e Delfim (ex-Pala). 

Treinador – Carlos Ascensão.

Fonte: jornal O Interior

quinta-feira, outubro 14, 2010

O estranho caso do livro desaparecido

Austeridade - O Livro que não existe




O Município de Trancoso adjudicou a "Edição de Obra Bilingue de Promoção Turística de Trancoso" em Abril de 2010, por €44.860,00.

O prazo de execução era de 30 dias pelo que seria de esperar que o livro já estivesse à venda no posto de turismo de Trancoso.

O problema é que o livro não existe.

Num telefonema para o posto de turismo de Trancoso fomos informados de que não sabiam absolutamente nada sobre tal livro e que se o livro existisse este estaria à venda no posto de turismo.

Em posterior contacto o vereador João Carvalho (PPD/PSD) informou o posto de turismo que não havia qualquer informação sobre nenhum livro e que o mesmo não tinha sido discutido em Assembleia Municipal.

Como pode ser um livro adjudicado - e pago supõem-se - sem conhecimento da Assembleia Municipal?

Quantos casos existem semelhantes a este?

in Blog 31 da Sarrafada - post de FF

quarta-feira, outubro 13, 2010

Actualidades televisivas e Mega-Agrupamentos

Associação de Pais do Agrupamento de Escolas de Vidago ganhou (?) a providência cautelar contra a fusão de escolas, segundo a qual a decisão do secretário de estado foi ilegal. Primeira decisão de um tribunal a favor das associações de pais que contestam a criação de mega-agrupamentos.



NOTA: dissemos aqui no Blog que era a via mais correcta para impedir que a ilegalidade que foi a fusão do Agrupamento das Escolas de Vila Franca das Naves com as Escolas de Trancoso. É claro que, embora tarde, ainda é tempo para seguir esta via...

domingo, outubro 03, 2010

Campeonato Distrital 1ª Divisão - o calendário


Para quem quiser consultar o calendário, aqui fica um link para o mesmo da A. F. da Guarda:


Ditou o sorteio, realizado no dia 25 de Setembro, que a Associação Cultural e Desportiva de Vila Franca das Naves comece, em 10 de Outubro de 2010, com uma deslocação a Vila Cortez do Mondego, faça o primeiro jogo em casa contra a União Desportiva "Os Pinhelenses", a 17.10.2010, e termine em 08.05.2011 a jogar, em casa, contra Associação Cultural e Desportiva do Soito.

De salientar que as 26 jornadas terão interrupções a 26 de Dezembro, 2 de Janeiro, 23 Janeiro (Taça), 27 Fevereiro (Taça) e 24 de Abril.

Aos atletas, equipa técnica, sócios e adeptos da equipa da nossa terra expressamos o nosso desejo de boa temporada...

segunda-feira, setembro 27, 2010

O Miguel Madeira partiu há 5 anos


Faz hoje cinco anos que o Miguel foi morto.

Mas nunca te esqueceremos, quem eras e pelo que lutavas.

Enquanto a nossa terra for o que tu sonhaste, tu estarás vivo nos nossos corações...

Obrigado Miguel...!

sábado, setembro 18, 2010

Mega-Agrupamentos - efeitos secundários


Hoje, estive morto. Senti que toda a vida se escapava pelo ar que, aflito e a custo, respirava, enquanto as lágrimas eram gritadas, louco no carro, os olhos à procura, à procura, à procura.

Morri, ali.

A minha filha deveria sair da Escola, na Parede, apanhar uma carrinha do ATL e eu ia buscá-la.

O que é que aconteceu? O cartão da escola, que supostamente controla as entradas e saídas dos alunos, valeu zero. Ela saiu, porque viu uma carrinha de ATL e entrou. Era o ATL errado. Ninguém lhe perguntou o nome, não houve uma chamada, nada. Ela entrou com uma colega e só após duas horas de aflição indizível, comigo à procura dela por todo o lado, é que o telefone tocou. De um "After School", a perguntar se eu era o pai de uma Mafalda Ribeiro, que eles tinham, aflita, a pedir para ligarem ao pai. Aliás foi ela que falou: "papá?"

Durante duas horas, morri. Percorri ruas de possíveis percursos, olhei para todas as sombras, parques infantis, supermercados, escola antiga, liguei para os pais de colegas dela, todos os absurdos e horrores passaram pela minha cabeça, chamei o seu nome, entre choro, em ruas e em todos os recantos da escola. Nada. Evaporou-se. Horrível. Uma tristeza, uma aflição, um horror que nunca mais vou esquecer. E quando o telefone tocou e era ela, aquela voz doce da minha princesa, minha vida, meu ar, meu sopro de vida, eu soube o que era renascer. E desfiz-me em lágrimas de novo, e dali até ao tal After School, que teve a minha filha à sua guarda por engano, até ela pedir para ligarem ao pai, levei um segundo e levei toda a vida. Obrigado meu Deus, obrigado! Estacionei às tês pancadas, voei em passo trocado de nervos, pela rua fora, Mafaldinha, Mafaldinha, Mafaldinha, cego de amor aflito, só há descanso e vida quando a abraçar e estiver tudo bem.

Quando a abracei, e ela, agarrada a mim, me disse, apenas: "Olá Papá" eu soube que tinha renascido. E ela também, coitadinha.

Como cartão de visita da nova escola, estou esclarecido. Tantas referências boas e afinal é isto: no primeiro dia, por maioria de razão, deveria existir um ainda mais rigoroso controlo de entradas e saídas, mas quando cheguei o portão estava escancarado, como deveria estar quando a Mafalda viu uma carrinha do ATL a chegar, estava na hora e ela saiu da escola e entrou na carrinha. Ninguém perguntou nada, ninguém fez nada.
E um ATL mete um grupo de crianças numa carrinha, não pergunta nomes, não verifica nada e só ao fim de duas horas é que, perante a aflição de uma criança de 10 anos a pedir para ligarem ao pai é que se acaba com este horror?

Quando penso na forma como desaparecem crianças, para sempre, todos os dias, penso que esses pais e filhos terão sentido isto, e muitos, mesmo sobrevivendo, morreram para sempre.

Eu tive a sorte de poder renascer.

E sei que, a partir de hoje, ganhei uma nova causa: fazer tudo o que estiver ao meu alcance para contribuir para uma Escola responsável, atenta, segura, onde os nossos filhos aprendem e podemos, enquanto pais, estar descansados.

Quando depois desta tarde de horror, fui buscar o pequeno Gonçalo ao colégio e ele me disse, comprometido, "Papá, parti os óculos a jogar à bola" eu disse para mim: que importância é que isso tem? Nenhuma, realmente, não tem nenhuma importância.

Não podia dizer-lhe que o pai hoje tinha aprendido o que é morrer e tinha tido a bênção de poder nascer de novo.

in blog dias úteis

XI Simpósio Internacional de Arte do Feital

XI Simpósio Internacional de Arte do Feital

1 a 21 de Setembro de 2010

O Simpósio Internacional de Arte do Feital (SIAF) é uma residência bienal onde artistas plásticos portugueses e estrangeiros, a convite de Maria Lino, trabalham durante três semanas em cada ano à volta de um tema, numa relação estreita com a aldeia e a natureza, terminando com uma exposição pública dos trabalhos realizados, no Atelier Temos Tempo.

No Simpósio deste biénio, sob o tema “olha para a forma”, participam: Alberto Carneiro, Carl Vetter, Catarina Rosendo, Doris Cordes-Vollert, Gagel, Inken N. Woldsen, Mariana Fernandes, Mónica Nunes, Sibylle Badstuebner-Groeger, Telma Santos e Tiago de Oliveira.


NOTA: mais informações - AQUI.


domingo, setembro 12, 2010

As mentiras do Ministério da Educação e da Anarquia desmascaradas



Flexibilidade Pedagógica
Os professores portugueses dificilmente não serão os melhores do mundo. Agora há uns que dão a sua disciplina a umas turmas com um manual na escola sede e depois vão dar as outras com outro manual, pois antes cada escola fez as suas escolhas de acordo com o projecto educativo e os respectivos grupos de trabalho.

Agora, com os novos mega-departamentos e mega-grupos disciplinares mistura-se tudo e quero fazer como se fazem planificações integradas e articuladas com cada escola com os seus materiais de apoio. Claro que o manual não é tudo, mas é com os seus materiais – afinal as famílias compram-nos para quê? – que os alunos devem trabalhar e estudar.
Mas, claro, tudo isto é feito por parte do ME privilegiando os aspectos pedagógicos
in A Educação do meu Umbigo - post de Paulo Guinote

segunda-feira, agosto 23, 2010

O Ministério da Anarquia - notícia do Público

Início do ano lectivo
Escolas abrem sem regulamentos internos adaptados ao novo Estatuto do Aluno


"Vai ser um início de ano de loucos", diz o presidente da ANDAEP


O ano lectivo vai arrancar sem que as escolas tenham os regulamentos internos adaptados ao novo Estatuto do Aluno, que ainda nem foi promulgado. Segundo as associações de directores, é necessário entre “um a dois meses” para concluir o processo.

O diploma foi aprovado em votação final no Parlamento a 22 de Julho e enviado para promulgação pelo Presidente da República a 6 de Agosto. Fonte do Palácio de Belém disse à Lusa que “ainda não há qualquer decisão” por parte de Cavaco Silva.

O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares sublinha que este tipo de documentos, para entrar em vigor no próximo ano lectivo, deveriam chegar às escolas até ao final de Maio, para que haja “um tempo razoável” para a adaptação às novas orientações.

“Para que se façam as adaptações de forma conscienciosa, com critérios, com rigor e para que se encontrem as soluções mais razoáveis é necessário entre um a dois meses”, estima Pedro Araújo, lembrando que as alterações ao regulamento interno necessitam de parecer do conselho pedagógico e aprovação do conselho geral.

Segundo o responsável, sempre que o limite de final de Maio for ultrapassado, as escolas ficam “impedidas” de tomar as melhores decisões, o que, alerta, poderá trazer “prejuízos” para escolas e alunos.


Escolas terão “tempo necessário”

Questionado pela Lusa, o Ministério da Educação sublinhou que será “solicitado oportunamente” às escolas que procedem às adaptações necessárias, garantindo que os estabelecimentos de ensino terão “o tempo necessário”.

Também o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) garante que as escolas já não vão a tempo de regulamentar o Estatuto do Aluno e estima que o processo só esteja pronto no final do primeiro período.

“Os regulamentos internos só vão estar adaptados no final do primeiro período. As alterações implicam uma regulamentação muito bem pensada”, defende Adalmiro Botelho da Fonseca.

Mesmo que o diploma saia em Diário da República nas próximas semanas, Pedro Araújo garante que no primeiro dia de aulas “nenhuma” escola terá o regulamento interno adoptado, pelo que directores, conselhos pedagógicos e conselhos gerais vão ter de trabalhar “em cima do joelho”.

 
Período de transição

“As escolas ou iniciam o ano com o anterior estatuto enquanto estudam o novo, apesar de entrar em vigor no dia seguinte ao da publicação, ou então vão ter de trabalhar em cima do joelho. Mas terá sempre de haver um período de transição”, sublinha Pedro Araújo, director da Escola Secundária de Felgueiras.

Segundo a tutela, no início do ano lectivo vale “o que já se encontra consignado” nos regulamentos internos, desde que “não conflitue” com o novo Estatuto do Aluno.

Por seu turno, o presidente da ANDAEP e director da Escola Secundária de Oliveira do Douro lembra que em Setembro há necessidade de dar andamento a todas as questões relacionadas com o arranque do ano lectivo, como a preparação de aulas, planificação de actividades, reunir conselhos de turma: “Vai ser um início de ano de loucos”. O ano lectivo começa entre 8 e 13 de Setembro no ensino pré-escolar, básico e secundário.


Violência escolar

Cinco meses depois do anúncio, o bullying ainda não foi tipificado como crime no âmbito da violência escolar. O Governo afirma que a matéria será tratada “oportunamente”, a menos de três semanas do arranque do novo ano lectivo.

A 30 de Março, numa audição no Parlamento, a ministra da Educação, Isabel Alçada, anunciou a intenção de levar a Conselho de Ministros uma proposta de alteração ao Código Penal, criando o “crime de violência escolar”, configurado como “crime público”, no qual se incluirá o bullying.

Questionado pela Lusa sobre o atraso na apresentação da proposta, o Ministério da Educação limitou-se a afirmar que esta “é uma matéria que será oportunamente tratada pelo Governo”.

ADENDA: parece-me que dois meses para actualizar os Regulamentos Internos é manifestamente pouco (sei o que digo, sou Presidente de um Conselho Geral...). Mas bem pior estão, neste capítulo (nos outros estão ainda num estado que não atrevo a classificar...), os órgãos dos Mega Agrupamentos: não têm Regulamento Interno em vigor e não têm ainda órgão (Conselho Geral Transitório) que o crie e aprove... Se a anterior Ministra era uma anarquista assumida, esta nova mostra ainda melhor como não se legislar...!

terça-feira, agosto 10, 2010

A importância científica de São Lourenço, recordada no seu dia

Post em estereofonia com o Blog Geopedrados:


(imagem daqui)

Segundo a Igreja Católica, hoje é a data do martírio de São Lourenço de Huesca:

Lourenço de Huesca ou São Lourenço (Huesca ou Valência, Espanha, 225? — Roma, 10 de Agosto de 258) foi um mártir católico e um dos sete primeiros diáconos (guardiões do tesouro da Igreja) da Igreja Cristã, sediada em Roma.
O cargo de diácono era de grande responsabilidade, pois consistia no cuidado dos bens da Igreja e a distribuição de esmolas aos pobres. No ano 257 Valeriano decretou a perseguição dos cristãos e, ao ano seguinte, foi detido e decapitado o Papa Sisto II.
Segundo as tradições, quando o Papa São Sixto se dirigia ao local da execução, São Lourenço ia junto a ele e chorava. "Aonde vai sem o seu diácono, meu pai?", perguntava-lhe. O Pontífice respondeu: "Não penses que te abandono, meu filho, pois dentro de três dias me seguirás".
Após a execução do Papa, o imperador ameaçou a Igreja para entregar as suas riquezas no prazo de 3 dias. Passados três dias, São Lourenço levou as pessoas que foram auxiliadas pela Igreja e os fiéis cristãos diante do imperador. Depois, exclamou a seguinte frase que lhe valeu a morte: "Estes são o património (riquezas) da Igreja". O imperador, furioso e indignado, mandou prendê-lo, e ser queimado vivo sobre um braseiro ardente, por cima de uma grelha. 


Segundo a sabedoria popular, este é um dia para ver como está a vinha (assunto que muito interessa, por motivos óbvios, a geólogos...) - Pelo São Lourenço, vai à vinha e enche o lenço, diz o ditado. Mas o povo, comovido com as lágrimas de Lourenço, despedindo-se do seu chefe espiritual, diz que essas lágrimas são visíveis no céu esta noite e nas seguintes - são as famosas Lágrimas de São Lourenço...

Embora hoje lhes chamemos de Perseidas, há esta bonita estória que devemos recordar - e amanhã falaremos mais deste assunto...!

 (imagem daqui)

quinta-feira, agosto 05, 2010

A anarquia no Ministério da Educação e a fusão de Agrupamentos de Escolas nas notícias - XXXVII

Deixem crescer o trigo!...
por MARIA DO ROSÁRIO GAMA (professora)

Citando Bertold Brecht, "Todos os dias os ministros dizem ao povo Como é difícil governar. Sem os ministros O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima". O problema é quando o trigo quer crescer para cima e as intempéries e as ervas daninhas não o deixam… E o trigo faz falta para o pão!!! E o pão mata a fome!!!

Ao longo dos últimos anos, têm sido variadas as "intempéries"que geraram instabilidade nas escolas, (não deixando o trigo crescer…), desde a criação dos primeiros agrupamentos, às alterações dos planos curriculares, ao estatuto disciplinar do aluno, às alterações ao estatuto da carreira docente (divisão da carreira docente, modelo de avaliação do desempenho dos docentes), só para sublinhar as que mais impacto causaram...

Para que as "sementes" possam germinar sem obstáculos e, consequentemente, para que as escolas tenham condições para garantir a qualidade, são necessários tranquilidade, rigor e exigência como forma de garantir o ambiente propício à eficácia nos processos ensino-aprendizagem. As escolas não se compadecem com alterações permanentes ao nível da sua organização e com ausência total de um olhar mais atento ao êxito real dos alunos, que passa pela reorganização curricular, novos programas, uma cuidada e exigente formação inicial de professores, um devolver da autoridade aos mesmos de forma a garantir um ambiente propício ao trabalho dentro da sala de aula, uma co-responsabilização dos pais/encarregados de educação pelo cumprimento das regras escolares por parte dos seus educandos, uma aferição com a introdução de exames nacionais no fim de cada ciclo e, no ano terminal do secundário (12.º ano), a todas as disciplinas da formação geral e específica.

Desde o dia 14 de Junho de 2010, data em que foi publicada em Diário da República a Resolução 44/2010 do Conselho de Ministros, abateram-se novas "intempéries" sobre as escolas, quer no que se refere ao número mágico de alunos (21), limite para que não sejam encerradas as escolas do 1.º ciclo, quer no que se refere à criação dos "mega-agrupamentos", designados nesta Resolução como "unidades de gestão".

O fecho das escolas, com toda a implicação que tem no contínuo desertificar das zonas interiores, pode justificar-se se os alunos não tiverem equipamentos adequados à sua formação/educação, mas houve muitas freguesias que apetrecharam as suas escolas investindo em equipamentos e criando condições idênticas às das escolas para onde se deslocam agora os alunos. Ora esta medida tem que ser tomada em conjunto com as autarquias, e o facto de ter menos de 21 alunos não deve ser determinante para o encerramento da escola desde que a mesma reúna condições para realizar um trabalho sério e com qualidade. É preciso ter em atenção quão traumatizante é para os alunos, ainda crianças, saírem do seu meio familiar para um ambiente estranho e aí permanecerem durante todo o dia.

Por outro lado, a constituição dos mega-agrupamentos, feita de forma apressada e tendo exclusivamente em conta a localização geográfica, revela o carácter economicista desta medida, o que, a ser posta em prática, se traduzirá numa inequívoca deterioração da qualidade da escola pública, através da desvalorização das questões pedagógicas, dificultando a promoção das aprendizagens, instituindo a direcção à distância, o que cria condições para mais indisciplina e, em resultado disso, mais insucesso e abandono escolar, bem como da indisciplina. Assistimos, pois, a uma quantificação pedagógica em detrimento evidente da qualidade. A gestão de proximidade é fundamental para a resolução de problemas de natureza pedagógica e disciplinar. Os alunos mais novos (aqueles cujas escolas vão ser "engolidas" pelas escolas secundárias) necessitam de uma presença permanente do director/presidente, a quem reconheçam autoridade e a quem obedeçam em caso de perturbação. O abandono escolar não se resolve com a fusão das escolas em "unidades de gestão", designação que mais se adequa a unidades empresariais, que de modo nenhum queremos confundir com espaços de aprendizagem e formação.

Num documento enviado à Sra. Ministra da Educação, um grupo de directores do distrito de Coimbra afirma não compreender que:

"- Se tenha avançado com a mudança do modelo de gestão e administração das escolas que foi polémico, para, passado um ano, se pôr tudo em causa, invocando a necessidade de implementação dos novos agrupamentos, que estavam já previstos;

- Não sejam respeitados os projectos para 4 anos, elaborados pelos órgãos de direcção, e que começam agora a dar os seus frutos;

- Se avance com as fusões nesta altura do ano, em que as escolas estão preocupadas com as avaliações dos seus alunos e já têm muito trabalho feito na preparação do próximo ano lectivo com base nos seus projectos educativos;

- Se lance um novo modelo antes de se definirem as regras a que estes têm que obedecer, deixando as escolas num vazio legislativo;

- O Ministério não respeite o trabalho dos seus colaboradores e que ignore que estes trabalham intensamente para que as suas escolas e alunos tenham sucesso;

- A qualidade de ensino e as questões pedagógicas sejam preteridas a favor de medidas administrativas desenhadas nos gabinetes sem um verdadeiro conhecimento da realidade."

Subscrevi na íntegra este documento e afirmo, com toda a convicção, que o Ministério ainda está a tempo de repor a serenidade nas escolas. Termino como comecei, com uma citação de um poema de Brecht, que se adequa aos tempos que vivemos: "Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem".

quarta-feira, agosto 04, 2010

A anarquia no Ministério da Educação e a fusão de Agrupamentos de Escolas nas notícias - XXXVI

Como se continuam a destruir as escolas portuguesas

Os alegados defensores da escola pública são os seus maiores inimigos. Porque não respeitam alunos e famíliasEstamos na última semana de Julho e há pais a receber em casa cartas a dizerem-lhes que os seus filhos vão mudar de escola. A darem-lhes – teoricamente – a oportunidade de se manifestarem contra essa mudança. E cartas que são assinadas por entidades cuja designação faz lembrar o gonçalvismo: “comissões administrativas” nomeadas para os novos mega-agrupamentos. Comissões que, formalmente, só entram em funções a 1 de Agosto – mas que já estão a assinar cartas.

Isto que se está a passar um pouco por todo o país – desde as aldeias remotas do interior a concelhos das duas grandes áreas metropolitanas – não é incompetência e, muito menos, voluntarismo para “fazer andar as coisas mais depressa”. Isto que se está a passar e está a desorganizar a vida de centenas, talvez milhares de escolas e de um número incalculável de famílias é apenas a mais recente manifestação de autoritarismo e centralismo do monstro da 5 de Outubro. Tudo porque no nosso sistema educativo os cidadãos valem pouco e os funcionários – sobretudo os funcionários mais papistas do que o papa – valem muito.
Tudo começou com duas ideias aparentemente boas: uma, a de que seria importante encerrar todas as escolas com menos de 21 alunos, pois, nestas, o grau de aprendizagem é pior e as crianças não socializam; outra, a de que se poderia gerir de forma integrada a rede de ensino, associando sob a mesma direcção os vários níveis de escolaridade.

É certo que qualquer destas ideias tem problemas. O principal óbice ao puro e simples encerramento de muitas microescolas é que estas são dos últimos sinais de vida em regiões do país totalmente desertificadas e envelhecidas. Perdendo a escola, não perdem apenas a companhia dos miúdos durante o dia, por vezes também perdem os seus pais. Por lá vive-se um definhamento que pagamos caro – que pagamos, por exemplo, nas vagas de incêndios florestais que enfrentamos todos os anos.

Já a teoria de que os mega-agrupamentos podem ser mais eficientes desafia experiências recentes em países como a Finlândia ou os Estados Unidos, que recomendam o regresso a escolas de “dimensão humana”. Ora, de acordo com os dados oficiais, a média do número de alunos por mega-agrupamento é de 1700. Pior: muitos desses alunos estão espalhados por escolas diferentes, que perderam as suas chefias próprias e que agora foram reunidas porque, tal como fizeram com África as potências coloniais, os personagens de Kafka que habitam as Direcções Regionais de Educação pegaram na regra e no esquadro e trataram de cumprir as metas de “racionalização” definidas pelo poder central. Resultado: nos distritos de Viana do Castelo e de Aveiro ficaram no mesmo agrupamento escolas que distam 40 km entre si; no de Braga há um caso em que essa distância sobre para 60 quilómetros. Em muitos concelhos os mega-agrupamentos agrupam 20, 30, 40, 50 escolas diferentes e, pelo menos num caso, a demência foi ao ponto de juntar 63 escolas sob a mesma “comissão administrativa”.
Vamos admitir, mesmo assim, que é bom eliminar todas as escolas com menos de 21 alunos e agrupar as escolas demasiado pequenas. Se existisse apenas esse objectivo, o processo teria de decorrer exactamente ao contrário. Nunca poderia ser uma direcção regional a convocar os directores das escolas e a ordenar-lhes o que deviam fazer. Nunca poderia comunicar-lhes que agora iam “fundir-se” e que, ou se entendiam sobre a nova “comissão administrativa”, ou ela decidiria por eles. Nunca poderia ignorar por completo os pais. Nunca poderia tratar as autarquias locais como parceiros menores. Nunca poderia deixar de prestar contas sobre, por exemplo, quanto dinheiro se poupa com a reestruturação e quanto se gasta, depois, em transportes escolares.

Não é só grave o atabalhoamento legal, que poderá levar pais e autarquias a desencadearem providências cautelares que tornarão ainda mais caótico o regresso às aulas. Não é só grave terem-se dissolvido arbitrariamente órgãos de gestão eleitos há poucos meses, e após um processo de envolvimento das comunidades que nem sempre foi fácil. Não é só grave reinar a opacidade, recusando-se o ministério a entregar a lista das escolas que vão fechar apesar de proclamar que serão (reparem na exactidão) 701. O que se passou e vai passar assusta porque revela, mais uma vez, um ministério que funciona de forma tão “iluminada” como autista. Um ministério para quem a realidade não passa de um empecilho à célere concretização das suas medidas esclarecidas.
Mas tudo isto podia ser bem diferente. Imaginem, por exemplo, que o ministério não tinha poder sobre as escolas, que apenas as podia fiscalizar e assegurar padrões mínimos de aquisição de conhecimentos realizando exames nacionais. Imaginem que as escolas eram responsáveis perante os seus utilizadores: os alunos, os pais, as comunidades locais, os educadores. Imaginem que tinham real autonomia e, face a um orçamento, procuravam fazer o melhor e, naturalmente, ter o maior número de alunos. Imaginem que as autarquias eram verdadeiras parceiras, mais próximas e mais responsabilizáveis do que os burocratas do ministério. Imaginem que as escolas públicas tinham liberdade para encontrarem, nas comunidades mais pequenas, a melhor forma de atender as necessidades locais e, nas comunidades grandes, para concorrerem entre si pela excelência. Imaginem que o sistema não discriminava as escolas privadas e que, se uma criança de uma família pobre quisesse ir para uma escola privada, poderia levar consigo o dinheiro que custaria ao Estado a sua educação se continuasse numa escola pública.

Estranho Portugal seria esse onde os cidadãos seriam mais senhores dos seus destinos do que os burocratas iluminados. Estranho Portugal esse onde o império da cunha e da pequena aldrabice daria lugar a relações transparentes e fiscalizáveis. Estranho Portugal esse que se pareceria com a Suécia, com a Dinamarca, com a Holanda. Estranho Portugal esse onde não oscilaríamos entre o dirigismo salazarista, o dirigismo leninista e o dirigismo socratista. E que belo Portugal…

O que se está a passar este ano com o fecho das pequenas escolas e com os mega-agrupamentos é Portugal deste regime no seu pior. Desta vez, ao contrário do que sucedeu com a avaliação de professores, nem sequer existe uma boa causa, há só burocracia, centralismo e autoritarismo em nome de uns centavos. Desta vez, por causa da época do ano, quase não há reacções. Mas desta vez está-se, ao mesmo tempo, a dar uma terrível machadada na única reforma recente do sistema educativo que ia na boa direcção: a que dava mais autonomia e mais responsabilidade às escolas. Só que essa reforma era uma contradição nos seus próprios termos: Portugal é o país em que o “chefe” quer, pode e manda.

Felizmente nem todos amocham.

in Público (30.07.2010) -Opiniões – José Manuel Fernandes (via A Educação do meu Umbigo)

sexta-feira, julho 30, 2010

Os Mega Agrupamentos e o Ministério da Anarquia


Lei ainda não saiu e já há escolas a transferir alunos


As confederações de pais garantem que há comissões administrativas próvisórias (órgãos directivos dos novos agrupamentos) que antes de tomarem posse estão a decidir a transferência de alunos de escola. O início do ano lectivo ameaça ser caótico, alertam.

O agrupamento de Escolas da Senhora da Hora, em Matosinhos, enviou a pais de alunos uma circular a informar que, devido à fusão com a escola Básica Integrada da Barranha, "decidiu" que no próximo ano lectivo "as turmas do 7º ano funcionarão" nessa escola "e as do 8º e 9º na da Senhora da Hora". No documento, assinado pelo presidente da Comissão Administrativa Provisória (CAP), a que o JN teve acesso, é pedido aos pais "que, caso estejam interessados noutras opções de escola", comuniquem "no prazo de cinco dias úteis, pois as listas dos alunos admitidos terá de ser afixada a 31 de Julho".

O caso não é único, garante ao JN o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), mas a maioria dos casos tem sido comunicada "oralmente". Albino Almeida afirma que o director regional de Educação do Norte o informou, ontem, de que a decisão do agrupamento da Senhora da Hora "já foi resolvida". No entanto, considera, situações idênticas "vão proliferar". As CAP "estão, manifestamente, a dar passos à revelia dos pais", atitude "inqualificável", até porque só tomam posse a 1 de Agosto e contradizem a garantia dada pela ministra, Isabel Alçada, sobre a não transferência de alunos.

A Confap está a aconselhar os pais a "munirem-se de toda a documentação possível" para o caso de as associações decidirem avançar com providências cautelares contra o processo de fusão dos agrupamentos. A confederação, assegura Albino Almeida, vai apoiar essas acções.

O dirigente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, Rui Martins, também confirmou ao JN que tem recebido queixas de pais sobre a transferência de alunos, por "não saberem sequer onde os filhos vão estudar em Setembro". Na inauguração do centro escolar de Sátão, por exemplo, "nem presidente da câmara, nem secretário de Estado" souberam informar os pais sobre o fecho da escola EB1 de Pedrosas. A confirmação foi dada pelo autarca, dias depois, em reunião promovida pela associação.

"Muitas escolas vão ser encerradas e os pais ainda não sabem". O início do ano lectivo adivinha-se, por isso, "caótico". "Espero que, se a anterior legislatura ficou marcada pelas manifestações de professores, esta possa sê-lo pelos protestos dos pais", sustenta Rui Martins. O JN tentou, sem êxito, obter um comentário do ME sobre a questão. 

in JN - ler notícia

terça-feira, julho 27, 2010

Este é o Verão do nosso descontentamento, seguido de um triste Outono

depois vemos isso!…


in Blog anterozóide - post de Antero

Os Mega Agrupamentos (bem) explicados pelo Ministério da Educação

ah!… assim compreende-se!


in Blog anterozóide - post de Antero

Para memória futura

Educação: Municípios e sindicatos indignados com o Governo
Escolas fecham às escondidas

O Ministério da Educação (ME) anunciou ontem que o processo de reordenamento escolar para o ano lectivo 2010/2011 está concluído, traduzindo-se no fecho de 701 escolas de 1º ciclo com menos de 21 alunos e na criação de 84 mega-agrupamentos. Mas o ME não revela quais as escolas em causa.


O CM solicitou uma listagem, que foi recusada. Nem os professores tiveram acesso à informação. "Temos associados em locais de trabalho que deixaram de existir e exigimos o direito a ser informados", afirmou Mário Nogueira, da Fenprof.

Já a Associação Nacional de Municípios Portugueses acusou o Governo de "pôr o carro à frente dos bois" na questão dos reagrupamentos. "Estamos estupefactos. Hoje [ontem] de manhã, o ME enviou--nos uma proposta de portaria para enquadramento legal da criação de agrupamentos, para emitirmos parecer. Mas pouco depois anunciou os resultados do processo", disse ao CM o vice-presidente da ANMP, Fernando Campos. Para o ME houve "um equívoco", uma vez que a proposta de portaria enviada à ANMP é para ser aplicada em "2011/2012". Já os novos agrupamentos, diz o ME, não dependem de parecer e são feitos ao abrigo do actual regime de gestão escolar. " Não há suporte legal. Se houvesse, era preciso uma nova portaria?", ripostou Campos. 

segunda-feira, julho 19, 2010

As mentiras têm pernas curtas...

Na Finlândia, só três por cento dos estabelecimentos têm mais de 600 alunos
Ao contrário de Portugal, lá fora aposta-se no regresso a escolas mais pequenas

Em Nova Iorque, a taxa de sucesso entre os alunos que foram transferidos para escolas mais pequenas é superior à dos que permanecem nos velhos estabelecimentos.

A criação de grandes agrupamentos escolares que irá começar a tomar forma em Portugal no próximo ano lectivo está em queda noutros países, que já viveram a experiência e tiveram maus resultados. Na Finlândia, a pequena dimensão é apontada como uma das marcas genéticas de um sistema de ensino que se tem distinguido pelos seus resultados de excelência.

Em Portugal, para já, os novos agrupamentos, que juntam várias escolas sob uma mesma direcção, terão uma dimensão média de 1700 alunos, in- dicou o secretário de Estado da Educação, João Trocado da Mata. O número limite fixado foi de três mil estudantes.

Em Nova Iorque, o mayor Michael Bloomberg tem vindo a fazer precisamente o oposto. Desde 2002 foram fechados ou estão em processo de encerramento 91 estabelecimentos. Entre estes figuram mais de 20 das grandes escolas públicas secundárias da cidade, que foram substituídas por 200 novas unidades. Nas primeiras chegavam a coabitar mais de três mil alunos. Nas novas escolas, o número máximo vai pouco além dos 400.

Em algumas das grandes escolas que fecharam portas eram menos de 40 por cento os alunos que tinham êxito nos estudos. No conjunto das escolas da cidade, esta percentagem é de 60 por cento, mas entre os estudantes que estão nas novas unidades já subiu para os 69 por cento, revela um estudo financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates, divulgado no final do mês passado.

A fundação criada pelo dono da Microsoft tem sido um dos parceiros da administração do mayor Bloomberg na implementação da reforma lançada há oito anos. O estudo, desenvolvido pelo centro de investigação MDRC, abrangeu 21 mil estudantes, dos quais cerca de metade está já a frequentar as novas escolas. Uma das conclusões: entre estes, a taxa de transição ou de conclusão dos estudos é superior em sete pontos à registada entre os alunos inquiridos que frequentam outros estabelecimentos de ensino.

Uma escala mais humana

Até 2014 terão passado à história dez por cento dos estabelecimentos com piores resultados. O objectivo fixado por Bloomberg duplica a meta estabelecida pela administração de Obama, que no ano passado desafiou os estados a fecharem cinco por cento das suas escolas mais fracas. No âmbito do novo programa Race to the top, lançado para combater o insucesso escolar, aos estados com melhores estratégias e resultados serão garantidos mais fundos para a educação.

Mas o objectivo não é só fechar as escolas com milhares de alunos e substituí-las por unidades com uma dimensão mais humana - embora este enfoque na "personalização" seja considerado vital. A mudança de escala está também a ser acompanhada pela implementação de novos currículos, pela fixação de um corpo docente mais qualificado e por uma maior autonomia das escolas.

Esta aposta em escolas mais pequenas, mais bem qualificadas e com maior autonomia faz também parte das prioridades do novo primeiro-ministro conservador britânico, David Cameron, o que, a ser levado por diante, constituirá uma profunda inversão da tendência registada na última década no Reino Unido. O número de escolas com mais de dois mil estudantes quase quadruplicou e cerca de 55 por cento das secundárias têm mais de 900 alunos.

Com esta dimensão, a função dos docentes passou frequentemente a ser mais a de "apagar fogos" do que a de ensinar, constata-se num documento elaborado pela organização de professores Teach First.

Aumentar permite poupar

Um estudo elaborado há uns anos pelo EPPI-Centre, de Londres, com base nas experiências dos países da OCDE, concluía que os alunos tendem a sentir-se menos motivados nas escolas maiores e que os professores se sentem menos felizes com o ambiente vivido nestas.

Ao invés dos resultados obtidos em Nova Iorque, no que respeita às escolas secundárias concluía-se, em contrapartida, que os resultados dos alunos tendem a ser melhores em escolas maiores. O que era justificado pela existência nestes estabelecimentos de corpos docentes com mais valências. Por outro lado, o aumento da dimensão traduz-se numa redução do que o Estado tem de despender por cada aluno. Em Portugal, no ensino não superior, esta factura rondará os três mil euros por ano.Em Portugal, a par com a concentração de agrupamentos, irão também ser encerradas as escolas do 1.º ciclo com menos de 20 alunos. A lista das que fecharão no próximo ano lectivo deverá ser conhecida esta semana. Desde 2000 já fecharam portas 5172 escolas deste nível de ensino.

A ministra da Educação justificou esta medida dizendo que se pretende garantir que todas as crianças beneficiem "de escolas com os requisitos que a educação do século XXI exige". Na Finlândia, quase não existem escolas com menos de 21 alunos, mas 40 por cento têm menos de 50 estudantes e são apenas três por cento as que vão além dos 600. Outra norma obrigatória: para chegar à sua escola, as crianças não podem ser obrigadas a deslocar-se mais do que cinco quilómetros. Por cá, serão cada vez mais os alunos que terão de percorrer uma distância quatro vezes superior a esta.

sábado, julho 10, 2010

A anarquia no Ministério da Educação e a fusão de Agrupamentos de Escolas nas notícias - XXXV

Deslocalização
Educação
por António Amaral
(Presidente da FERSAP)

Primeiro foram as escolas com menos de 10 alunos. Fizeram-se obras em outras escolas para acolher as crianças deslocadas. Agora são as escolas com menos de 21 alunos que fecham. E, no futuro, serão fechadas as aldeias com menos de 10 habitantes, primeiro, no ano seguinte as com 21 e por aí fora. Fecha tudo. Faz lembrar o fecho de fábricas que foram transferidas para o estrangeiro, dito prosaicamente de deslocalização.

Desloca-se tudo, em prol da modernidade, ou seja, para hipoteticamente se poupar dinheiro ao Estado para se poder fazer, por exemplo, mais uma auto-estrada Lisboa – Porto.

Diz o patriota Sócrates que é tudo para a melhoria da qualidade da educação e combate ao insucesso escolar. Afirmou mesmo que seria “criminoso” não encerrar escolas com menos de 20 alunos (Público, de 6 de Junho de 2010). Já sobre a desertificação do interior e à total ausência de políticas para desenvolver o mundo rural e fixar as populações ao seu meio, nem uma palavra, quanto mais uma medida, isto num país que importa 80% do que consome.

As aldeias que perdem a escola perdem parte do seu valioso património e população. Os jovens casais vão morar para perto das escolas onde podem deixar os seus filhos, o pequeno comércio da terra perde clientes, definha e fecha. Ficam apenas os mais idosos, sós e isolados. É como se as aldeias fossem deslocalizadas para os grandes centros urbanos. Em muitas aldeias raianas os portugueses já vão a Espanha, quer para tomar um simples café, quer para abastecerem-se ou irem ao centro de saúde! Qualquer dia, porém, já não vão... porque a aldeia fechou. Acentuam-se as assimetrias entre o interior e o litoral, mas isso não é criminoso!

A par do fecho do país rural outro crime se está a cometer contra a escola pública com o dito reordenamento da rede – a absurda criação dos mega-agrupamentos, também conhecida pela “mega-hipocrisia”!

Recebi hoje de uma associação de pais de uma escola do concelho do Seixal um e-mail que transcrevo: “Não estou a ver… o nosso agrupamento tem 1800 crianças, juntar a uma secundária, estaremos a falar de cerca de 4000 crianças, o que é que estes meninos passarão a ser, números? Se já é difícil gerir 1800 como será com 4000? E o nosso trabalho no Conselho Geral foi para o boneco? O que é que a Sr.ª Ministra espera dos pais?”

Os pais estão apreensivos e com razão. Então há um ano elegemos um director, aprovamos um regulamento interno e um projecto educativo e todo este trabalho é atirado fora? Será que os burocratas do Governo sabem, ou imaginam sequer, o que são milhares de horas em horários pós-laborais dados (sem remuneração, saliente-se!) por membros da comunidade educativa nos conselhos gerais? Bastaria isto para classificar como total desrespeito a imposição dos mega-agrupamentos.

Mas a questão é muito mais grave. A retórica económica usada para impor estas super-estruturas esconde a intenção de entregar o ensino a grupos privados, tal como está a acontecer no sector da saúde com a entrega da gestão de hospitais e serviços públicos à gestão privada.

Entre outros malefícios dos mega-agrupamentos salientamos a mais que provável alteração do papel pedagógico do director para funções burocráticas da gestão do “monstro”, a qualidade do ensino vai ainda baixar mais e, também, a ligação e comunicação família/escola vai piorar, com consequências nefastas para o papel dos pais na educação.

A anarquia no Ministério da Educação e a fusão de Agrupamentos de Escolas nas notícias - XXXIV

Fecho de Escolas
Oposição quer suspender o reordenamento escolar


A intenção anunciada pelo Governo de encerrar 500 escolas com menos de 21 alunos tem tido a oposição de populações

Os partidos da oposição aprovaram no Parlamento um projecto de resolução que recomenda ao executivo de José Sócrates que suspenda "de imediato" o reordenamento da rede escolar. O Partido Socialista ficou isolado ao votar contra o projecto.


Só os deputados do grupo parlamentar do Partido Socialista votaram contra os textos dos projectos de resolução apresentados por todos os partidos de oposição sobre o reordenamento da rede escolar do primeiro ciclo do ensino básico.

Aprovado em Conselho de Ministros o plano de reordenamento prevê o encerramento de escolas com menos de 21 alunos e o subsequente reagrupamento de estabelecimentos de ensino.

O Ministério da Educação anunciou, no início de Junho, a intenção de encerrar cerca de 500 escolas do 1.º Ciclo com menos de 21 alunos e de fundir unidades de gestão.

Comunistas defendem "suspensão imediata"

Os comunistas defendem na sua proposta de resolução a "suspensão de imediato da aplicação da resolução do Conselho de Ministros" ao mesmo tempo que aconselha o executivo que "faça reverter as implicações que teve em todos os agrupamentos afectados e escolas não agrupadas afectadas".

Os comunistas defendem ainda a criação de uma Carta Educativa Nacional "que plasme uma estratégia de gestão da rede escolar" e que resulte do trabalho conjunto entre o Estado representado pelo Ministério da Educação, as autarquias envolvidas, as comunidades educativas, a gestão escolar, pais e encarregados de educação.


PSD recomenda concertação com escolas

O Partido Social-Democrata também apresentou um projecto de resolução que obteve o mesmo sucesso da comunista ao ser aprovado pelos votos conjugados da oposição ao Governo socialista.

Os social-democratas não perfilham a suspensão imediata como é pedida pelos comunistas mas recomendam ao Governo que "qualquer iniciativa de associação entre escolas ou agrupamentos de escolas deve fundamentar-se numa prévia consulta aos respectivos Conselhos Gerais" e que as Comissões Administrativas Provisórias dos Agrupamentos de Escolas "sejam nomeadas após consulta aos Conselhos Gerais das Escolas ou Agrupamentos de Escolas objecto de extinção ou fusão".

A partilha de serviços técnicos e pedagógicos entre agrupamentos de escola e escolas não agrupadas é aconselhável e como tal deverá ser, na opinião dos social-democratas estimulada pelo governo.


Populares critérios para o reordenamento

O CDS sugere ao Executivo que cada direcção regional faça "levantamento das escolas a encerrar, número de alunos a transferir, percentagem do aproveitamento escolar e escolas de destino".

O reordenamento da rede escolar deve obedecer, de acordo com os populares, a alguns critérios que os centristas apontam no seu projecto aprovado no Parlamento esta sexta-feira por toda a oposição. Número de alunos, existência de transporte escolar, resultado da avaliação da escola elaborada pela Inspecção-Geral da Educação, concertação com as autarquias, são alguns dos critérios apontados pelo partido mais à direita no espectro político da Assembleia da República.


BE recomenda limites aos reagrupamento

No outro extremo oposto desse leque, o Bloco de Esquerda também apresentou um projecto de recomendação.

Os bloquistas pretendem que o processo de reorganização do parque escolar "seja programado ao longo do próximo ano lectivo, mediante consensualização entre o ministério da Educação e as comunidades educativas".

De acordo com a proposta do BE, nenhum agrupamento escolar deverá ultrapassar os 1.500 alunos e não se deverão concentrar no mesmo edifício mais do que dois ciclos de ensino. A partir dos 700 alunos o agrupamento de escolas ou a escola não agrupada deverão manter "a sua autonomia de gestão".

Os deputados do Bloco de Esquerda pretendem ainda impor uma distância máxima da escola à casa do aluno. A reorganização da rede escolar deverá levar em conta o tempo máximo de transporte entre a escola e a casa do aluno que tenha sido deslocada. O BE propõe como limite os 35 minutos de viagem.

Outra recomendação a nível dos critérios para o reordenamento da rede escolar feita pelos bloquistas "entre os "critérios de qualidade" que justifiquem o encerramento de escolas do primeiro ciclo a existência de taxas de insucesso escolar superiores à média nacional nos últimos três anos ou a carência ou degradação de infra-estruturas, como biblioteca ou pavilhão.

in RTP - ler notícia